XIII Congresso Brasileiro de Neurocirurgia Pediátrica

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Dados do Trabalho


Título

ABORDAGEM CLÍNICA E NEUROCIRÚRGICA NA FRATURA EM PINGUE-PONGUE EM NEONATO

Objetivo

Descrever a abordagem clínica e neurocirúrgica em recém-nascido (RN) com fratura craniana em pingue-pongue (FPP).

Materiais e Métodos/Casuística

Estudo de caso com coleta de informações pela revisão de prontuário, registro fotográfico do paciente pré e pós-operatório e registro de neuroimagem, associados à revisão de literatura.

Resultados

RN, sexo feminino, com gestação e exames pré-natais sem alterações, nasceu de parto normal laborioso a termo, sem fórceps. APGAR 6 e 9 no 1º e 5º minutos. Ao exame clínico, apresentou discreta bossa em região occipital e deformidade em fundo rígido em osso parietal esquerdo. À radiografia de crânio, observou-se espessamento de calota e afundamento calcificado em região parietal esquerda. Tomografia de crânio mostrou extenso afundamento da calota craniana em topografia parietal esquerda, com discreta diástase da sutura coronal homolateral, sem traço de fratura associado, com compressão cerebral subjacente ao afundamento ósseo. Ausência de contusão no parênquima subjacente. No período pré-operatório, esteve sempre clinicamente bem, sem sinais de hipertensão intracraniana ou déficits focais ao exame neurológico. Em neurocirurgia extra-axial, RN com 15 dias, em anestesia geral, iniciada incisão cutânea curvilínea em osso parietal esquerdo, de aproximadamente 3 cm, em margens da fratura. Logo após, realizou-se pequeno orifício de trépano e redução do afundamento com dissector de Penfield, seguido de revisão rigorosa da hemostasia e fechamento do plano cutâneo. RN evoluiu sem comprometimento neurológico com indicação de reavaliação neurológica.

Discussão e Conclusões

As fraturas cranianas congênitas com afundamento, designadas por FPP, ocorrem com uma incidência de 1-2,5 casos por 10000 nascidos vivos, não estando a sua etiologia completamente esclarecida. Na maioria, não se identifica um episódio traumático e raramente se associam a lesões intracranianas, sendo classificadas como uma forma de fratura em “ramo verde”. As variedades terapêuticas da FPP incluem o tratamento expectante, elevação por técnica de pressão negativa ou por digitopressão em bordas, e, o tratamento cirúrgico. A abordagem terapêutica dependerá da gravidade da fratura, da presença de lesão cerebral subjacente e do exame clínico. Embora usualmente assintomática, FPP pode originar anormalidades neurológicas, com hematomas epidural, subdural ou intracraniano, além de áreas isquêmicas secundárias à compressão, podendo comprometer o desenvolvimento do RN.

Referências bibliográficas

AMARAL, Maria Emanuel; GRILO, Ema; MIMOSO, Gabriela. Fratura em Ping-Pong. Acta Pediátrica Portuguesa: Imagens em Pediatria, Coimbra, v. 1, n. 46, p.152-153, 20 nov. 2015.
CIZMECI, Mehmet Nevzat et al. Ping pong fracture in the newborn: illustration of a case. Acta Neurologica Belgica, [s.l.], v. 114, n. 1, p.69-70, 8 jan. 2013.
STEIN, Sherman C.. The Evolution of Modern Treatment for Depressed Skull Fractures. World Neurosurgery, [s.l.], v. 121, p.186-192, jan. 2019.

Palavras Chaves

Fratura em Pingue-Pongue; Neonato; Neurocirurgia pediátrica.

Área

Neurocirurgia Pediátrica

Instituições

Universidade Federal do Piauí - Piaui - Brasil

Autores

Nickolas Souza Silva, Lady Jane da Silva Macedo, Hayssa Duarte dos Santos Oliveira, Karolinne Kassia Silva Barbosa, Manuela Sousa Silva, Eduarda Viana Trajano, Thiago Cardoso Guimarães, Larissa Teles de Souza