XIII Congresso Brasileiro de Neurocirurgia Pediátrica

Página Inicial » Inscrições Científicas » Trabalhos

Dados do Trabalho


Título

Fístula dural arteriovenosa para seio lateral em pacientes pediátricos: como abordar

Objetivo

Demonstrar um raro caso de fístula dural arteriovenosa em paciente pediátrica e como o tratamento endovascular foi fundamental para melhora clínica.

Materiais e Métodos/Casuística

Paciente de 13 anos, sexo feminino, buscou atendimento de saúde em 2016 por declínio cognitivo progressivo e sensação de pulsação no ouvido esquerdo. Ao exame, foi evidenciado frêmito supraclavicular. Ressonância encefálica mostrou que esses achados possivelmente eram decorrentes de uma fístula dural arteriovenosa. Uma angiografia forneceu diagnóstico definitivo de malformação vascular complexa, com fístula dural na região do seio lateral (transverso e sigmoide).

Resultados

Foram realizadas sessões de embolização do seio lateral, sendo duas por via arterial (injetado sistema líquido de embolização com N-butil-cianoacrilato) e três por via venosa (molas de platina), resultando em melhora significativa da função cognitiva e restauração parcial do fluxo cerebral. Atualmente, a fístula apresenta baixo fluxo, mas drena ainda para vasos corticais e para seio transverso. Objetiva-se realizar craniotomia, acessar o seio lateral e ligar uma das drenagens da fístula (veia de Labbe). Após isso, é esperado que uma nova embolização garanta a trombose do seio, evitando sangramentos futuros e progressão do déficit neurológico.

Discussão e Conclusões

Fístula dural arteriovenosa é uma doença vascular rara em crianças. Consiste em um desvio anormal do fluxo arterial pela dura-máter para seios venosos. Os sinais e sintomas iniciais podem incluir "zumbido", dores de cabeça, exoftalmia, epilepsia e déficits neurológicos associados a sangramentos intracranianos. Existem poucos relatos de fístulas durais arteriovenosas que gerem frêmitos a nível cervical e, principalmente, comprometimento cognitivo progressivo em pacientes pediátricos. Assim, relatamos um caso em que a embolização foi fundamental para impedir a progressão do declínio da paciente, garantindo a restauração do fluxo sanguíneo cerebral. Para assegurar tratamento definitivo, evitando até mesmo a possibilidade de sangramentos, planeja-se tratamento combinado com cirurgia e novas embolizações para obstruir as possíveis drenagens da fístula.

Referências bibliográficas

Obrador S, Soto M, Silvela J: Clinical syndromes of arteriovenous malformations of the transverse-sigmoid sinus. J Neurol Neurosurg Psychiatry 1975;38:436–451.
Hurst RW, Bagley LJ, Galetta S, Glosser G, Lieberman AP, Trojanowski J, Sinson G, Stecker M, Zager E, Raps EC, Flamm ES: Dementia resulting from dural arteriovenous fistulas: the pathologic findings of venous hypertensive encephalopathy. AJNR Am J Neuroradiol 1998;19:1267–1273.
Wong GK, Poon WS, Yu SC, Zhu CX: Transvenous embolization for dural transverse sinus fistulas with occluded sigmoid sinus. Acta Neurochir (Wien) 2007;149:929–935.

Palavras Chaves

Fistula artériovenosa; Neurocirurgia pediátrica; Tratamento endovascular

Área

Neurocirurgia Pediátrica

Instituições

Hospital Universitário Onofre Lopes - Rio Grande do Norte - Brasil

Autores

Ângelo Raimundo Silva Neto, Jõao Ferreira Melo Neto, Fábio Barros Rodrigues Silva, Damácio Soares Paiva, Thiago Beserra Barbosa Dos Santos, Eduardo Cortez