XIII Congresso Brasileiro de Neurocirurgia Pediátrica

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Dados do Trabalho


Título

Meningocele cervical: relato de caso

Objetivo

Relatar um caso de meningocele cervical verdadeira, destacando apresentação clínica, diagnóstico e condutas baseados em
evidências científicas disponíveis.

Materiais e Métodos/Casuística

Trata-se do recém-nascido de 40 dias de vida, sexo masculino, nascido pré-termo (32 semanas), de parto cesáreo, necessitando de reanimação em sala de parto e intubação orotraqueal; apresentou massa cervical posterior circunscrita, revestida por fina camada de pele, em linha média cervical, sem sinais de extravasamento de líquido cefalorraquidiano. Perímetro cefálico de 37 cm, com fontanela anterior medindo cerca de 5 polpas digitais, sem abaulamento, e com movimentação ativa dos quatro membros. Durante os cuidados neonatais, ocorreu o rompimento da massa, com exposição do conteúdo neural. Na história gestacional, durante acompanhamento pré-natal frequente e de risco habitual, foi identificada ventriculomegalia cefálica à ultrassonografia obstétrica, sendo indicada a realização de ressonância magnética fetal. Nesta, evidenciou-se defeito de fusão do arco posterior com protusão dural e miélica ao nível da coluna cervical.

Resultados

Paciente foi submetido à abordagem cirúrgica de urgência. Posteriormente, evoluiu com hidrocefalia, em acompanhamento neurocirúrgico.

Discussão e Conclusões

As meningoceles são condições incomuns na região cervical, podendo ser distinguidas de outros disrafismos espinhais císticos pela ausência de tecido fibrovascular, neuroglial ou ependimal dentro do cisto. Nessa patologia, verifica-se, ainda, a associação frequente de hidrocefalia e malformação de Chiari, justificando o acompanhamento neurocirúrgico contínuo. O diagnóstico é feito frequentemente pela dosagem de alfa-feto proteína em líquido amniótico ou sangue materno, ou, mais comumente, pela ultrassonografia obstétrica. O tratamento cirúrgico dessa condição consiste na excisão do cisto e exploração intradural para o desprendimento da medula espinhal. A maioria dos estudos mostra que quando os defeitos são corrigidos nas primeiras 48 horas de vida, a morbidade e mortalidade são menores que as observadas em pacientes operados tardiamente, sendo infecção a principal complicação. Como opção terapêutica, tem-se popularizado o tratamento intrauterino, porém ainda restrito aos grandes centros. Sendo assim, ressalta-se que os disrafismos, em especial a meningocele cervical, são condições clínicas raras, porém exigem diagnóstico adequado e tratamento precoces, favorecendo o desenvolvimento neuropsicomotor destes pacientes.

Referências bibliográficas

Palavras Chaves

meningocele cervical; disrafismo espinhal, espinha bífida

Área

Neurocirurgia Pediátrica

Instituições

Hospital Universitario Alzira Velano - Minas Gerais - Brasil

Autores

Diego Alexandre Gomes Sousa, Fernanda M Santaiana, Guilherme Luiz Grossi Heleno, Salomão Lee, Lucas Caetano Dias Lourenço, Gilberto Diniz Miranda , Renato Ortolani Marcondes De Castro, Marcelo Da Oliveira Frota, Otacílio Moreira Guimarães